1º encontro "O ESPAÇO"

BEM-VINDOS

Este blog tem por missão REGISTRAR o processo de Imersão Teatral que o Grupo de Teatro Forfé está desenvolvendo durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 junto à comunidade piracicabana.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Protocolo do 4º Encontro: IMAGINAÇÃO

1a. parte
“Às vezes um charuto é só um charuto”, teria dito o velho Freud quando lhe perguntaram se o seu charuto era um símbolo fálico. O mesmo não pode ser dito do cabo de vassoura ou rodo revestido de perfex utilizado na última oficina, o qual, em muitos momentos deixou de ser apenas um pedaço de madeira para se tornar de tudo: bola, bebê, vara de pescar, flor etc.
A imaginação, tema do encontro, já havia literalmente servido de apoio tanto para exercícios corporais ao chão quanto para caracterização de personagens, como a prostituta e o velho. Isso se repetiria nos vários momentos de narração/interpretação coletiva.
A fé cênica move não apenas montanhas, mas o corpo, a imaginação etc.

2a. parte
O diálogo sobre a História do Teatro foi bastante produtivo, acessível, descontraído. Gostaria de retomar três pontos que suscitaram discussões tanto durante o diálogo quanto na primeira parte do encontro:
a) Moralização – Conforme os professores expuseram, o teatro grego apresentava, dentre outros, caráter de educação cívica. Contudo, como também sustentaram, isso não representava censura, poda, moralização etc. Acho que na cultura grega esse papel ficou a cargo da fábula, o que deve ser entendido dentro do contexto histórico, claro. Mas isso continua a incomodar? Então, pensemos nos adultos que hoje apresentam as fábulas às crianças como verdades absolutas, sem questionamento algum, de modo a produzir formiguinhas em série, que trabalham feito loucas, insensíveis à música das cigarras...
b) Verossimilhança – Sem me prender ao conceito aristotélico em si, tão bem explicado pelo Felipe, e situado no contexto geral da História do Teatro, mas pensando no hoje, no contemporâneo, costumo dizer mais ou menos o seguinte a respeito da verossimilhança: ninguém estranha ver o Super-Homem voando (nos quadrinhos, nos desenhos, nos filmes etc.). Porém, a não ser por exemplo num texto surrealista ou do Absurdo, por que a Lois Lane voaria? Ela teria fumado, bebido, cheirado ou sido vítima de algum acidente nuclear que teria lhe dado poderes especiais? Em outras palavras, o fato de ela indiscriminadamente voar fere o pacto que existe entre o leitor/espectador e a narrativa em si, fere a verossimilhança da história.
c) Dionísio – Em meio ao pensamento maniqueísta (Bem X Mal), às vezes fica difícil compreender a figura de Dionísio. Mesmo na arte, em geral, há quem divida artistas e suas obras entre apolíneos e dionisíacos. Isso, claro, é questionável. A força explosiva e caótica de Dionísio, de fato, não cabe no maniqueísmo, mas sim nas formas de pensamento (incluídas aí inúmeras religiões) que consideram a síntese dos opostos, como a luz e as sombras (e quanto maior a quantidade de luz não é maior também a quantidade de sombras?). No estudo das Religiões Comparadas, encontramos o arquétipo de Dionísio em diversas culturas (o Exu do panteão iorubá, o Loki nórdico, o Trickster dos indígenas norte-americanos etc.). Como força motriz do Teatro, ele pode ser sentido aos domingos, nas oficinas, sempre empurrando voluntários para as atividades, os exercícios...

Dermes

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